“Portugal é controlável”: provocação da RD Congo ganha repercussão após duelo na Copa do Mundo de 2026.
- Wellison Veloso
- há 6 horas
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Estreia na Copa comprova uma provocação feita pelos congoleses há dois meses; entenda.
"Portugal az maîtrisable". A República Democrática do Congo empatou por 1 a 1 com a seleção portuguesa na estreia na Copa do Mundo, na quarta-feira, e bancou a provocação que fez há dois meses, na festa de classificação para o Mundial: que o adversário era "controlável" (e de fato foi).
A capital Kinshasa era uma festa só ao receber a seleção congolesa, no começo de abril, após a classificação para a Copa do Mundo. A vitória por 1 a 0 sobre a Jamaica, na prorrogação da Eliminatória Intercontinental, recolocou a RD Congo no Mundial após 52 anos de ausência. Durante o desfile em carro aberto, uma clara provocação a Portugal.
– Portugal é controlável. Aqui é Tshangu.
"Controlável" sendo "aquilo que pode ser controlado, dominado ou superado" no contexto e na mistura do francês e do lingala, os dois principais idiomas do país. Tshangu é um distrito periférico de Kinshasa, tornando a mensagem não só provocativa, mas também representativa do orgulho congolês pela seleção. O cartaz foi levado à festa por um torcedor, mas exibido com sorrisos por Cédric Bakambu, o veterano goleador da RD Congo.
Na última quarta-feira (17), o técnico Sébastien Desabre deu razão ao torcedor e a Bakambu. A RD Congo mudou o esquema tático, povoou a frente da área e limitou a tão elogiada seleção portuguesa a apenas uma finalização no gol, apesar dos 75% de posse de bola. Saiu atrás no placar, mas empatou com Wissa e segurou o resultado sem nem sofrer muito. De fato, Portugal foi controlável.
Portugal chegou à estreia como uma das favoritas ao título mundial, sendo a quinta colocada do ranking da Fifa, a atual campeã da Liga das Nações e o quinto melhor aproveitamento do ciclo (75,2%).
A RD Congo, por outro lado, havia ganhado só metade dos jogos que fez desde a Copa passada, com ataque questionável (apenas 1,26 gol por jogo no ciclo), mas defesa confiável: a sétima melhor entre as 48 classificadas, com 0,63 gol sofrido por jogo.
Foi esta defesa forte que segurou Cristiano Ronaldo e cia. em Houston, nos Estados Unidos. Os congoleses toparam ter pouco a bola (apenas 32%), mas se fecharam em linhas para sair em contra-ataques. Foi assim que finalizaram mais do que Portugal (oito a sete) mesmo tendo só um terço dos passes trocados (263, contra 791).
– (Este empate) nos traz muita energia, é um passo a frente. Estamos orgulhosos de garantir esse ponto para nosso país na Copa. Demos tudo o que tínhamos e estamos felizes com o resultado – comemorou o treinador Sébastien Desabre em entrevista coletiva.
O primeiro ponto conquistado na história das Copas deixa a RD Congo viva para se classificar ao mata-mata. Pelo grupo K, a seleção desafia a Colômbia na terça-feira (23) e fecha a primeira fase contra Uzbequistão, no dia 27.



