**Análise: Cruzeiro ameniza frustração com evolução, mas despedida precoce deixa alerta para 2025**
- Wellison Veloso
- 29 de mai. de 2025
- 3 min de leitura

Queda vexatória na Sul-Americana começou no início do ano e não pode ser ignorada em função dos bons resultados no Brasileirão e na Copa do Brasil.
O Cruzeiro encerrou a campanha vexatória da Conmebol Sul-Americana com um empate sem graça e sem gols diante do Unión, no Mineirão. Entrou em campo já eliminado e fez um jogo que valeu somente para a manutenção da sequência sem derrotas. A queda precisa deixar lições, ainda que o momento seja (com razão) de otimismo e minimize o gosto amargo deixado pelo torneio continental.
O duelo com o Unión foi protocolar, assim como foi a vitória diante do Palestino, também no Mineirão. Mas, desta vez, um jogo ruim, em ritmo de amistoso, com pouquíssimos aspectos para serem aproveitados. Dos mais usado, Walace talvez seja exceção, com bom jogo firme no meio-campo. Os garotos da base não se destacaram, mas ao menos tiveram minutos para maturação naquele que talvez tenha sido último momento que não valha na temporada.
Os cinco pontos foram conquistados pelo time no returno, quando já estava em fase complicada na competição. Curiosamente, foi quando Leonardo Jardim mais rodou o elenco, gerindo a parte física dos considerados titulares e dando minutagem a outros sem tanto espaço. Isso mostra que o grupo havia obrigação de classificação do time.
É verdade que o treinador também não usou força máxima nas derrotas para Unión Santa Fé e Palestino, no primeiro turno, mas não estava no planejamento a eliminação. O Cruzeiro se complicou sozinho – por vários motivos – e, agora, precisa usar essa queda a seu favor.
O principal motivo da eliminação, sem dúvida, foi o erro de planejamento da diretoria. Trocou técnico com três jogos oficiais no ano, viu o Campeonato Mineiro perder a função de “laboratório” e teve que trocar os pneus com o carro em movimento.
O resultado foi visto com a queda na semifinal do Mineiro, mas também com a eliminação na Sul-Americana. Leonardo Jardim disputou ao menos um terço dos jogos do torneio tateando o elenco e buscando jogadores e formação ideais.
Claro, pelo nível de investimento e na comparação com os adversários, o Cruzeiro deveria ter desempenhado melhor nas duas derrotas que abriram o torneio. Jardim e jogadores têm culpa, mas não dá para ignorar o contexto de um planejamento malfeito.
A terceira rodada, quando o Cruzeiro já dava seus últimos suspiros, aconteceu com o time ainda oscilante, mas demonstrando crescimento. A derrota diante do Palestino, que praticamente enterrou as chances de classificação, teve o peso grande de erros individuais e até de um emocional fraco. Aquela foi a última derrota do time, há mais de 30 dias.
E o período que marcou a rodagem do elenco demonstrou também que houve falha de planejamento na montagem do grupo. Está claro que é desequilibrado, como assumido pelo próprio Leonardo Jardim, que tem encontrado boas soluções individuais para conseguir minimizar esses erros.
O Cruzeiro queria sim brigar nas cabeças da Sul-Americana. Era esse o planejamento no início do ano, e ninguém até hoje negou. Mas, agora, é passado, e o clube precisa usar os espaços do calendário como um trunfo nas brigas mais importantes de 2025: o Brasileirão e a Copa do Brasil.
Hoje, entre os dez primeiros colocados da Série A, cinco estão envolvidos em competições continentais. O Cruzeiro terá, no mínimo, duas semanas livres a mais que esses adversários, além de não ter jogos durante os 30 dias da Copa do Mundo de Clubes, diferentemente de Flamengo, Fluminense e Palmeiras, integrantes do G-6.



