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Botafogo vive dois tempos distintos no empate com o Mirassol e sente aumento da pressão; confira a análise.


Parecia que o Botafogo iria recolocar o trem nos trilhos após a eliminação para o Vasco na Copa do Brasil, na última quinta-feira, e a derrota para o São Paulo, no domingo passado. Na partida de ontem, contra o Mirassol, no Estádio Nilton Santos, em jogo adiado da 12ª rodada do Brasileiro, o time alvinegro teve uma atuação de gala no primeiro tempo, abriu 3 a 0, mas, em uma segunda etapa completamente oposta, sofreu o empate em apenas 15 minutos


Savarino, Chris Ramos e Montoro fizeram os gols alvinegros. Chico da Costa, Jemmes e Lucas Ramon marcaram para os visitantes. Com o resultado, a pressão aumentou para o lado do Botafogo, que chegou ao terceiro jogo sem vitória. No fim, a torcida vaiou os jogadores e protestou com gritos de “time sem vergonha” e “Fora Ancelotti”.


— A postura foi diferente, no primeiro tempo tivemos muita coragem de jogar, aparecendo, associando bem o nosso time. A gente estava com muita posse, atraindo bem o adversário e atacando as costas. No segundo tempo perdemos um pouco isso, essa movimentação, esse toque de bola. Mas é o todo, ganha todo mundo, perde todo mundo. Agora é levantar a cabeça, temos um jogo difícil aqui já no sábado (contra o Atlético-MG) — disse Marlon Freitas na saída de campo.


Os números comprovam a disparidade entre os dois tempos do Botafogo. Foram 11 finalizações na primeira etapa, contra somente quatro na segunda — Walter, goleiro do Mirassol, não precisou fazer uma defesa nos 45 minutos finais. Além disso, os cruzamentos aumentaram e os toques dentro da área adversária diminuíram.


O técnico Davide Ancelotti teve dificuldade de analisar o segundo tempo do Botafogo no confronto contra o Mirassol. Durante a entrevista coletiva, o treinador italiano reconheceu os 45 minutos finais ruins após uma boa primeira etapa e afirmou que precisa de tempo para entender o que aconteceu na partida.


— Difícil fazer uma análise. Não tem muita explicação agora. Precisamos de tempo para analisar o que aconteceu na segunda etapa. Uma primeira etapa muito boa em que jogamos o melhor futebol. Uma segunda etapa em que desaparecemos — disse Davide Ancelotti.


Menor público no Campeonato Brasileiro

É impossível dizer que não havia desconfiança por parte da torcida, principalmente pelos resultados recentes. E isso ficou evidente ao ver a arquibancada do Nilton Santos: 6.724 torcedores foram ao estádio ontem, registrando o pior público do Botafogo no Brasileirão deste ano. No entanto, a atuação do primeiro parecia que espantaria qualquer incerteza.


O time de Davide Ancelotti teve uma grande atuação nos primeiros 45 minutos, com um ataque, formado por jogadores gringos, encaixado e transições rápidas que castigaram o Mirassol. Savarino abriu o placar, após boa jogada de Santi Rodríguez, Chris Ramos ampliou, depois de cruzamento do Alex Telles, e Montoro marcou o terceiro, pegando sobra do goleiro Walter. O placar, inclusive, poderia ter sido maior.


A boa atuação do Botafogo, no entanto, ficou somente no primeiro tempo e a vantagem no placar por foi por água abaixo nos primeiros 15 minutos da segunda etapa. O time alvinegro voltou do intervalo desatento e viu os paulistas marcarem aos 35 segundos com Chico da Costa, depois de uma falha de Alexander Barboza.


Depois do gol, o Mirassol, com uma postura completamente diferente da primeira etapa, empurrou o Botafogo para o campo de defesa e começou a pressionar em busca do resultado. Aos 12 minutos, o zagueiro Jemmes ficou com a sobra dentro da área e diminuiu o placar. E, aos 16, Lucas Ramon apareceu nas costas de Alex Telles, sozinho, para cabecear e empatar o placar.


O nervosismo tomou conta do estádio Nilton Santos depois do terceiro gol do Mirassol. Os jogadores, que estava fazendo uma ótima exibição, passaram a ter um rendimento abaixo do primeiro tempo, e a criação de jogadas ficou restrita a cruzamentos, buscando Chris Ramos, de 1,90m de altura. O time paulista soube se defender e o alvinegro não ofereceu perigos.


Com problemas no ataque, Davide demorou para mexer no setor e só fez a primeira alteração no quarto ofensivo aos 33 minutos, quando sacou Montoro para colocar Jeffinho. Antes, o italiano tirou Danilo e Alex Telles para dar lugar a Newton e Cuiabano. Telles, aliás, ficou irritado com a substituição e gesticulou bastante em direção à torcida presente na Oeste Inferior. Os torcedores passaram a vaiar o time depois do empate e deixou o clima ainda mais tenso no Estádio Nilton Santos.


Os minutos finais foram de um Botafogo sem criatividade e um Mirassol confortável com o empate. O time visitante reclamou de um pênalti aos 44 minutos, mas o VAR marcou impedimento no início do lance. Com o resultado, o alvinegro chegou aos 36 pontos, ultrapassou o Bahia, assumiu a quinta colocação, mas perdeu a chance de entrar no G4.



 
 
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