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Fracasso do Santos simboliza também o fracasso do projeto Neymar.



Da mesma maneira que o Santos não se sustenta como time, Neymar não se sustenta como possível salvação para ele


O returno do Campeonato Brasileiro começou com um domingo atípico, em que os visitantes ganharam os quatro jogos do dia. O Flamengo fez 3 a 1 no Inter com facilidade notável, o Palmeiras alcançou um grande resultado ao bater o Botafogo por 1 a 0, o Grêmio encontrou um respiro inesperado ao aplicar 3 a 1 no Atlético-MG. Mas nenhuma partida causou o assombro visto no Morumbis, nenhuma partida alcançou o espanto testemunhado por mais de 54 mil torcedores na (desde já) histórica goleada de 6 a 0 do Vasco sobre o Santos.


Todos já vivemos o inferno no futebol – é um esporte democrático em sua crueldade. Conhecemos o gosto de uma eliminação vexatória, de um título perdido por um triz, de uma goleada para o maior rival. Somos todos íntimos da vergonha, da raiva, da injustiça. Mesmo assim, é difícil se colocar na pele do torcedor do Santos nesta segunda-feira.


Porque não foi apenas uma goleada. Não foi apenas uma goleada como mandante. Foi uma goleada como mandante para um concorrente direto na luta contra o rebaixamento. E com Neymar em campo – usando a camisa 10, vestindo a braçadeira e sofrendo a derrota de placar mais largo em sua carreira.


É muito injusto personalizar em Neymar essa goleada. Não é o caso. Mas é preciso admitir que o fracasso deste Santos é também o fracasso do projeto Neymar. A imagem do ídolo chorando ao sair de campo, após mais uma atuação insuficiente, após mais um cartão que o impedirá de jogar a próxima partida, é emblemática pela fragilidade que ela transmite.


Acontece que da mesma maneira que o Santos não se sustenta como time, Neymar não se sustenta como possível salvação para ele. E isso vai ficando cada vez mais evidente na verdade do campo. Neymar faz uma ou outra boa partida da mesma forma que o Santos tem uma ou outra atuação decente. Mas quando damos um passo para trás e olhamos o cenário panoramicamente, nenhum deles convence.


A evolução de Neymar na busca por uma sobrevida no futebol é mais lenta do que a realidade exige. É mais lenta do que a urgência do Santos cobra, é mais lenta do que a Seleção, tão carente, se vê obrigada a cortejar. E quando a esperança de um time está depositada em alguém que já não se mostra capaz de atendê-la, esse time está em apuros.


O Santos precisa de solidez, precisa ter um chão onde pisar. É impressionante a forma como o time desmoronou contra o Vasco. Bastou um vento, na forma de uma excelente atuação do adversário, para a equipe ficar completamente nua. Enquanto o time de Fernando Diniz trocava passes, chegava à área e fazia gols como se protagonizasse uma apresentação dos globetrotters, o Santos sublinhava que, em idos do segundo semestre, ainda inexiste como equipe.


A grande questão agora é se o elenco conseguirá reunir forças para sobreviver a essa pancada. A goleada não é um decreto de morte – é possível superá-la. Mas vai depender das próximas escolhas do clube, sobretudo do próximo técnico, já que Cleber Xavier, claro, foi demitido ainda neste domingo.


A diretoria possivelmente terá dificuldades para encontrar um treinador de alto nível que aceite o desafio de assumir o cargo em situação tão delicada, sem um time formado, com enorme pressão da torcida e dois pontos à frente da zona de rebaixamento. Não é momento para novas apostas. O clube precisará escolher um nome que passe segurança imediata aos jogadores – e evite que o choro do capitão se transforme em um símbolo precoce da desesperança.


 
 
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