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Saída de Filipe Luís amplia pressão sobre José Boto nos bastidores do Clube de Regatas do Flamengo.

Com relação ruim com jogadores e funcionários do Ninho do Urubu, dirigente balança no cargo e vê clima se aproximar do insustentável. Discurso no treino de terça irritou o elenco.


José Boto enfrenta sua maior crise no Flamengo. A forma como o diretor de futebol conduziu o processo de demissão do técnico Filipe Luís pegou mal e aumentou sua rejeição internamente com jogadores e funcionários do clube. O clima já não era dos melhores.


A decisão de demitir Filipe Luís foi do presidente Bap, mas colocada em prática por Boto. Em uma conversa de menos de um minuto no vestiário do Maracanã, depois de o técnico dar entrevista coletiva, o português comunicou o desligamento.


Na rápida conversa, o português afirmou que se tratava de uma determinação da presidência com a qual não concordava. No entanto, circulou no CT a informação publicada pelo ge de que Boto já participava ativamente da negociação com Leonardo Jardim dias antes de demitir Filipe.


Para piorar, os jogadores ficaram incomodados com o rápido discurso de Boto no treino de terça à tarde, após a demissão de Filipe. Em conversa de cerca dois minutos de duração, o diretor reuniu o elenco e enfatizou a responsabilidade dos atletas entre os culpados pela saída do treinador, tirando o peso da decisão da direção. Na visão do português, alguns jogadores se preocupam apenas em melhorar seus contratos, sem mostrar desempenho para isso. O discurso foi malvisto pelo grupo, que deixou o espaço da reunião sem sequer responder ao dirigente.


A conversa de terça foi um raro momento de interação direta entre o português e os jogadores. No dia a dia, o diretor evita contato com o elenco, postura que é criticada pelos atletas desde o ano passado, principalmente pelo distanciamento em momentos de crise no Flamengo, como o atual. Na perda do título da Supercopa para o Corinthians, por exemplo, a ausência de Boto em campo no pós-jogo tornou-se assunto entre os atletas.


Desde a sua chegada, Boto não faz questão de ser uma figura bem-quista. Internamente, o trabalho também é criticado por funcionários. O português foi contratado em janeiro de 2025 com a missão de reformular o departamento de futebol rubro-negro.


Tratado como especialista em scouting, ele prometeu reestruturar o setor e mudar a forma como o Flamengo agia no mercado. Os reforços contratados com alto investimento indicaram o contrário, na visão de quem está no dia a dia. "Trabalho raso", resumiu uma fonte ouvida pelo ge.


Em muitos momentos, José Boto deixou as decisões nas mãos de Filipe Luís e acatou os pedidos do treinador. Em outros momentos, Boto defendeu o técnico perante Bap. Isso mudou nos últimos dias, e o diretor se afastou do treinador antes da demissão.


O presidente ainda segura a mão do português, mas o diretor também balança no cargo. O clima, quase que insustentável, tem ficado mais perceptível para o presidente, que passou a interferir mais no dia a dia do futebol nos últimos meses.


Boto foi alvo dos protestos dos torcedores nos últimos dias, especialmente na porta do Ninho do Urubu, mas ainda tem prestígio com Bap, que o escuta sobre qualquer assunto relacionado ao futebol. Apesar disso, o dirigente não é unanimidade dentro do Ninho do Urubu. Muita gente, inclusive jogadores, reclama da forma como ele se comunica.


 
 
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